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VI Manhã de Trabalhos do CIEN-Brasil


O QUE FALAR QUER DIZER?
Singularidade e Diferença Hoje.

Data: 23 de novembro de 2018, de 08:00 às 13:00
Local: Hotel Windsor Barra, av. Lúcio Costa, 2630, Barra - Rio de Janeiro

Inscrições: https://goo.gl/ZNaF6e

Argumento


Em 2008 a Manhã de trabalhos do CIEN-Brasil teve como tema “A oferta da palavra hoje: quais as respostas do CIEN?”, indicando uma tendência generalizada no uso da fala como instrumento de transformação e ação. Em uma perspectiva utilitarista aliada à ciência, essa oferta da palavra foi tomada, no mundo, como instrumento de eficácia, buscando uma previsibilidade do sujeito e a produção de respostas pré-concebidas. Como consequência constatava-se que o mal-estar, o enigmático, inerente ao humano, não encontrava um lugar.

Frente a isso o CIEN se posicionava com “A oferta de dispositivos onde a palavra pudesse se tornar, pela forma como é escutada, um instrumento de criação de respostas e de abertura de caminhos inéditos – ou ainda, como indicou Judith Miller, o inconsciente pudesse no mundo contemporâneo, tornar-se audível”[1]. Isto é, pudesse ter um lugar no discurso.

As conversações inter-disciplinares dos Laboratórios do CIEN, em seu trabalho ao longo destes anos, nos mostram não só os efeitos do encontro de diferentes pontos de vista, do que cada um pode se servir do outro, mas também do que colocamos em jogo quando falamos: os limites, as contradições, os pontos de ruptura e paradoxalmente… o que faz laço. Não se inserir na lógica da resposta padrão ou da normatização faz aparecer a diferença em seu sentido amplo e a singularidade como modo de solução ao impasse que ali se apresenta.

Dez anos depois, propomos nessa VI Manha de Trabalhos do CIEN Brasil retomar essas questões: O que falar quer dizer? Buscando recolher nas experiências, entre as contradições dos efeitos de falar e do uso que se faz desse dizer, como os jovens e crianças se apresentam na sua singularidade? Qual a forma que cada um encontra para expressar suas diferenças em nossos dias e poder responsabilizar-se por elas? O que ouvimos dos seus dizeres, das suas invenções?

É possível apostar ainda hoje em uma boa forma de dizer, mesmo quando não há um discurso articulado para representar um sujeito? Ou seja, quando um lastro simbólico, social e afetivo vêm a faltar, deixando o sujeito sem um enganche que lhe permita representar-se ainda que pela oposição? Quais as consequências quando se retira essa aposta na palavra? O que a violência que se apresenta nas crianças hoje quer dizer?

A partir da prática dos Laboratórios, abordaremos os desafios e os recursos construídos em cada experiência do CIEN. Os testemunhos nos permitirão discutir sobre os seguintes eixos temáticos:

1- Em que apostamos quando propomos uma conversação do CIEN nos dias de hoje? Como reintroduzir o lugar da palavra e sua função? A partir do que se fala, quais os pontos de opacidade que se apresentam para cada um e os efeitos na fala que circula?

2- Singularidade e Diferença – A presença, em nossa época, de reações extremas diante da singularidade de cada um e seus diferentes modos de satisfação, nos faz perguntar sobre o ato e a palavra. Como cada criança e cada jovem pode constituir e sustentar seu lugar frente à intolerância? Como a violência nas crianças ou dirigidas a elas podem ser lidas?


Comissão de coordenação e orientação do CIEN-Brasil: Paola Salinas (Coord. Geral), Mônica Campos Silva, Mônica Hage e Vânia Gomes.


[1] Pitella, C.; Telles, H.; Rego Barros, M.R.C; Pavone, T. (Comissão de Coordenação e do CIEN-Brasil 2007/2011). Apresentação da Manhã de trabalhos do CIEN-Brasil Cien Digital, n 5. Novembro de 2008, pg. 4.


Envio dos trabalhos


Aguardamos a experiência dos laboratórios do CIEN até o dia 15 de setembro, para o e-mail brasil.cien@gmail.com

Cada comunicação deverá conter até 6000 caracteres, incluindo espaços e notas, na fonte Times New Roman, tamanho 12.


VI Manhã de Trabalhos do CIEN - Brasil









O QUE FALAR QUER DIZER?
Singularidade e Diferença Hoje.


Data: 23 de novembro de 2018, de 08:00 às 13:00
Local: Hotel Windsor Barra, av. Lúcio Costa, 2630, Barra - Rio de Janeiro

Inscrições: https://goo.gl/ZNaF6e

Argumento


Em 2008 a Manhã de trabalhos do CIEN-Brasil teve como tema “A oferta da palavra hoje: quais as respostas do CIEN?”, indicando uma tendência generalizada no uso da fala como instrumento de transformação e ação. Em uma perspectiva utilitarista aliada à ciência, essa oferta da palavra foi tomada, no mundo, como instrumento de eficácia, buscando uma previsibilidade do sujeito e a produção de respostas pré-concebidas. Como consequência constatava-se que o mal-estar, o enigmático, inerente ao humano, não encontrava um lugar.


Frente a isso o CIEN se posicionava com “A oferta de dispositivos onde a palavra pudesse se tornar, pela forma como é escutada, um instrumento de criação de respostas e de abertura de caminhos inéditos – ou ainda, como indicou Judith Miller, o inconsciente pudesse no mundo contemporâneo, tornar-se audível”[1]. Isto é, pudesse ter um lugar no discurso.


As conversações inter-disciplinares dos Laboratórios do CIEN, em seu trabalho ao longo destes anos, nos mostram não só os efeitos do encontro de diferentes pontos de vista, do que cada um pode se servir do outro, mas também do que colocamos em jogo quando falamos: os limites, as contradições, os pontos de ruptura e paradoxalmente… o que faz laço. Não se inserir na lógica da resposta padrão ou da normatização faz aparecer a diferença em seu sentido amplo e a singularidade como modo de solução ao impasse que ali se apresenta.


Dez anos depois, propomos nessa VI Manha de Trabalhos do CIEN Brasil retomar essas questões: O que falar quer dizer? Buscando recolher nas experiências, entre as contradições dos efeitos de falar e do uso que se faz desse dizer, como os jovens e crianças se apresentam na sua singularidade? Qual a forma que cada um encontra para expressar suas diferenças em nossos dias e poder responsabilizar-se por elas? O que ouvimos dos seus dizeres, das suas invenções?


É possível apostar ainda hoje em uma boa forma de dizer, mesmo quando não há um discurso articulado para representar um sujeito? Ou seja, quando um lastro simbólico, social e afetivo vêm a faltar, deixando o sujeito sem um enganche que lhe permita representar-se ainda que pela oposição? Quais as consequências quando se retira essa aposta na palavra? O que a violência que se apresenta nas crianças hoje quer dizer?


A partir da prática dos Laboratórios, abordaremos os desafios e os recursos construídos em cada experiência do CIEN. Os testemunhos nos permitirão discutir sobre os seguintes eixos temáticos:


1- Em que apostamos quando propomos uma conversação do CIEN nos dias de hoje? Como reintroduzir o lugar da palavra e sua função? A partir do que se fala, quais os pontos de opacidade que se apresentam para cada um e os efeitos na fala que circula?


2- Singularidade e Diferença – A presença, em nossa época, de reações extremas diante da singularidade de cada um e seus diferentes modos de satisfação, nos faz perguntar sobre o ato e a palavra. Como cada criança e cada jovem pode constituir e sustentar seu lugar frente à intolerância? Como a violência nas crianças ou dirigidas a elas podem ser lidas?


Comissão de coordenação e orientação do CIEN-Brasil: Paola Salinas (Coord. Geral), Mônica Campos Silva, Mônica Hage e Vânia Gomes.


[1] Pitella, C.; Telles, H.; Rego Barros, M.R.C; Pavone, T. (Comissão de Coordenação e do CIEN-Brasil 2007/2011). Apresentação da Manhã de trabalhos do CIEN-Brasil Cien Digital, n 5. Novembro de 2008, pg. 4.


Envio dos trabalhos


Aguardamos a experiência dos laboratórios do CIEN até o dia 15 de setembro, para o e-mail brasil.cien@gmail.com

Cada comunicação deverá conter até 6000 caracteres, incluindo espaços e notas, na fonte Times New Roman, tamanho 12.


CIEN Goiás



RESSONÂNCIAS DO CIEN EM GOIÁS

Ceres Lêda F F Rubio

No dia 23 de Fevereiro o CIEN deu o pontapé inicial para a abertura de um Laboratório em  Goiás, agora em formação, nomeado de “Entreoutros”.  Para tanto, preparou uma Conversação Interdisciplinar intitulada “Etiquetagem e medicalização em crianças e adolescentes” tendo como pano de fundo a exibição do filme  “L’enfance sous controle”. Para animar a conversa esteve presente a Psicanalista Ana Martha Maia (EBP/AMP), coordenadora do Laboratório do CIEN-Rio “A criança entre a mãe e a mulher” e a Pedagoga Sylvana de Oliveira Bernardi Noleto, professora da UEG e PUC-GO. Cerca de cinquenta pessoas responderam ao convite para lá estarem, indicando a relevância do tema e o interesse pelo trabalho.

Sylvana coloca-se como aquela que falava de “fora” para dizer de sua posição, não sendo psicanalista ao comentar sobre o filme, mas sendo leal a proposta do CIEN de reunir disciplinas e poder ela dizer sobre o discurso que a sustenta na sua prática dentro da Pedagogia.

Coloca-se diante do documentário com uma crítica, questionando e nos fazendo lembrar que o cineasta, ele próprio, ao elaborar a edição do filme recortou e incluiu muito provavelmente aquilo que lhe pareceu mais importante, indicando que o resultado do produto tem aí a marca de quem o construiu.  O filme para ela questiona o conceito de criança e de  infância, que são diferentes, e lhe provocou ao trazer um recorte do comportamento do indivíduo em detrimento de um contexto de totalidade que a Pedagogia considera ao falar do sujeito humano. E isso marca uma cisão entre o que apresenta o documentário e o que a Pedagogia pode analisar sobre o comportamento de uma criança. Sylvana defende que se deve considerar ao analisar o comportamento, o contexto histórico social e familiar para além do biológico. O filme defendendo apenas motivos biológicos para a violência e propondo soluções a partir do controle, avaliações e normatizações do comportamento, sem considerar , segundo ela a hipótese de que a violência é social, construída nas relações e das interações. Na relação com o outro é que se exprime a violência. Acredita nisso, como também que o processo de ensino aprendizagem se dá nas relações e é individualizada.

A Pedagoga na sua prática de escola pública confirma que lá, também há uma tendência de solicitar o diagnóstico e avaliação da criança para responder ao problema de comportamento e aprendizado e, concomitantemente adoecendo-as, segregando-as ao apontar os problemas sem se implicarem neles, a partir de uma impotência do professor no ensino. Relaciona que há nessa problemática, políticas públicas direcionadas que influenciam esse modo de funcionar do professor.  Há uma racionalização e uma falta de entendimento na Escola sobre qual é a forma e de quem é a responsabilidade de resolver o problema. Um impasse!

O impasse aponta para uma diferença do lugar da Pedagogia, implicada com sua visão de totalidade do sujeito humano e o recorte parcial que se faz do indivíduo, na ciência, ao ofertar seus recursos  para resolver o problema do comportamento violento e dificuldades na aprendizagem. Não se sabe sobre de quem é a responsabilidade na solução dessa questão  claramente complexa. E não se crê a solução  única  a partir da avaliação, controle e a medicalização, para problemas que indicam receber influência do meio social, familiar.

A discussão avançou entre os participantes e cada um que se apresentou para falar concordou que o impasse se organiza na impotência e impossibilidade. A impotência de se estabelecer uma prevenção e controle da violência a partir de um contexto único biológico, na impotência de um ensino idealizado que promete um aprendizado também idealizado para as crianças e adolescentes. E a impossibilidade de encontrar soluções definitivas, que seja pela ciência a partir da medicalização

Ana Martha contribuiu nessas discussões, e a partir de três  exemplos  de sua prática no  laboratório do CIEN-Rio, confirmou  o impasse apontado ao final na conversação e ainda esclarecendo na prática  o modo de intervenção e condução de um laboratório. 

Uma delas foi à experiência de uma atividade de laboratório ao atender a demanda de intervirem na queixa de violência em uma escola. Na instituição, entram em contato com a queixa de crianças que “não querem aprender a ler e escrever” e com problemas de “interação e disciplina”,   observam ainda a relação dos profissionais da escola com determinados  alunos. Esses profissionais  não demonstrando sensibilidade e acolhimento às queixas desses outros, indicando já ali um  tipo de  “violência” na relação. O laboratório apontou que havia um ponto de excesso e de um gozo nas crianças que a escola não conseguia tratar, e,  que os profissionais não se implicavam na problemática da violência na escola.

Ao final com o adiantado da hora, confirmou-se junto aos participantes o desejo de alguns  continuarem em um segundo tempo, a discussão sobre o que a Conversação interdisciplinar apontou a respeito da temática proposta ao elaborar o impasse.

Fechamos o evento com o convite de seguirmos com o Laboratório Entreoutros, agora para um momento de elaboração e ampliação das discussões resultadas da Conversação.



CIEN DIGITAL

Para ler o CIEN Digital basta acessar este link: http://uaihost.com/ciendigital/index.html

CIEN Digital

Argumento e eixos da V Manhã do CIEN


Solidão e Laço na adolescência
Argumento

Solidão e Laço. Dois termos opostos, antinômicos. Um, negativo; outro, salutar. Não, não foi essa visada que levou o CIEN a elegê-los como tema de nosso próximo encontro.

Dentre os muitos paradoxos da experiência humana que a psicanálise ajuda a abordar, esse talvez seja o mais crucial para a adolescência: um bom laço só é possível quando respeita e sabe acolher a solidão de um jovem. As ideias, sensações e experiências corporais que parecem radicalmente estranhas ao social são, ao mesmo tempo, a bússola de nossa aventura na vida.  

Um laço sem solidão equivale ao anonimato na multidão, ao apagamento do brilho e da criatividade juvenis. A solidão sem laço, por outro lado, é a perdição, o desamparo, o flerte com o fim da vida.

Esses dois polos da experiência adolescente são certamente bem conhecidos de todo aquele que desejou escutar a juventude.

Como escapar deles? Que cruzamentos entre solidão e laço são possíveis para os jovens? Como ajudá-los a inventar um bom encontro se sua vida tornou a tarefa especialmente difícil? 

Fundado na psicanálise de orientação lacaniana, mas ao mesmo tempo destinado a explorar suas fronteiras, o CIEN se dedica ao trabalho com jovens fora do terreno da clínica. É desses ambientes heterodoxos que teremos notícias na Manhã de trabalhos do CIEN-Brasil.

Das Conversações realizadas com jovens e com equipes interdisciplinares dedicadas a trabalhar com eles, chegarão desafios e soluções contemporâneos. Os Laboratórios do CIEN foram convocados a partilhar e debater aquilo que têm garimpado sobre os seguintes eixos temáticos:

1) Como as novas tecnologias e as redes sociais impactam a costura entre solidão e laço?
2) Que usos e desusos das línguas têm sido inventados pelos jovens na tessitura de seus laços e na tradução de sua solidão?
3) Como a adolescência cria e experimenta as novas permissões e exigências destinadas aos corpos?

Esperamos vocês para discutir esses temas, apaixonantes e fundamentais para nosso tempo.

Envio dos trabalhos

Aguardamos a experiência dos laboratórios do CIEN até o dia 15 de outubro, para o e-mail brasil.cien@gmail.com
Cada comunicação deverá conter até 6000 caracteres, incluindo espaços e notas, na fonte Times New Roman, tamanho 12.

Comissão de coordenação e orientação do CIEN-Brasil: Nohemí Brown (Coord. Geral), Lucíola Macedo e Rodrigo Lyra
Comissão adjunta: Paola Salinas (Coord.), Mônica Campos, Mônica Hage e Vânia Gomes.

Comissão da equipe de mídias: Miguel Antunes (Coord.)

CIEN-Brasil Informa

CIEN-Brasil Informa
 
CIEN Brasil
 Neste boletim informativo do CIEN-Brasil trazemos sob a rúbrica Em breve... os eventos de outubro e novembro que terão lugar nos diferentes lugares onde o CIEN está presente. Conversações entre o CIEN e o Núcleo de Psicanálise e Direito em MG, Conversações em torno do livro Crianças falam! E têm o que dizer em SC. E a 4a Tarde de trabalhos do CIEN- Brasil que terá como convidado a Miquel Bassols, em BH.
 
Na rúbrica Ressonâncias contamos excelentes colaborações.  Do CINE CIEN temos dois textos. O primeiro é de MG, uma resenha do debate sobre o filme “Bling Ring: a gangue de Hollywood” com pontuações muito bem-vindas sobre o conceito de trauma. O segundo, de BA, em colaboração com PE, uma ótima reflexão em torno do filme "Monsieur Lazhar". Também incluimos um pequeno texto sobre momentos marcantes das conversações do laboratório de PR.
 
Lembramos que a 4a Tarde de trabalhos do CIEN se apróxima, aproveite para fazer sua inscrição!
 
 
 
Em breve...
 
Atividades CIEN
 
Em MG
Conversação CIEN e Núcleo de Psicanálise e Direito
 
Em SC
Quinta-feira, 23 de outubro
 
 
No dia 23/10 teremos um encontro na EBP com participantes dos dois laboratórios já estabelecidos para conversarmos a partir do texto "Psicanálise e Educação: Rumo a um saber novo ", de Virgínia Carvalho. Optamos por iniciar esse espaço por um texto do Livro "Crianças falam! E tem o que dizer..." para compartilhar e dar visibilidade em Florianópolis ao trabalho que já vem sendo realizado pelo Cien. O segundo encontro na sede da EBP será no dia 13/12. Esses encontros serão abertos para todos os interessados no trabalho.
 
Em BH
Domingo, 23 de novembro
 
IV TARDE DE TRABALHOS DO CIEN BRASIL
Local: Centro de Convenções Dayrell Hotel  Belo Horizonte/MINAS
 
 
 As inscrições para participar da IV Tarde de Trabalho do CIEN Brasil podem ser feitas pelos e-mails: ipsmmg@institutopsicanalise-mg.com.br ou brasil.cien@gmail.com  Tel.(31) 3275-3873.
 
O valor da inscrição é R$40,00 – (Inscrição CIEN + NRCereda: R$85,00)
Depósito na conta do IPSM-MG e envie o comprovante pela internet com seus dados. 
Banco Itaú
ag.4540
c/c: 02333-2.
 
 Aguardamos você! As vagas são limitadas!
 
 
 
Ressonâncias...
 
Em BH
CINE CIEN
 
 
 Rumo   à  IV Tarde de trabalhos do CIEN Brasil
Qual trauma em Bling Ring?
 
Maria Rita Guimarães
 Na noite de 06/08/2014 o Cinecien -MG exibiu o filme Bling Ring .Da narrativa de Sofia Coppola (2013), retirada de fatos reais relatados pela jornalista Nancy Jo Sales que, anteriormente àescrita do livro, publicou uma  matéria sobre o tema na revista Vanity Fair ,em  2010, com o nome « Os suspeitos  usavam  Louboutin” - destacam-se  alguns aspectos que nos interessam  para o debate  na roda de Conversação:
O fascínio pela imagem, quando ela pode ser multiplicada, (quase) sem limite, pelas redes sociais.
O gozo, presente em cada ação do roubo, demanda mais um, na sucessão vazia dos atos transgressivos. Roubo "para nadajáque os desejados objetos de consumo, passado o efêmero momento de ver,momento do click da foto, já podem ser perdidos, consumidos, vendidos.
Paris Hilton éuma grife fascinante, um objeto? Parece pouco importar como pessoa, não parece ocorrer  uma identificação com ela: o que importa para os jovens éo que ela porta, seus objetos.
A lista seria longa. Coloquemos, no entanto, duas questões como convite ao pensar:
São os objetos o sintoma dos adolescentes, no filme? São os objetos que gozam deles?
      Em que momento-depois da prisão éidentificável? - encontraríamos marcas da experiência - experiência traumática - vividas pelos adolescentes que Sofia Coppola nos apresentou? 
O fato apresenta-nos quatro jovens e um rapaz que se lançam,aparentemente para romperem o tédio de suas existências, a roubar os objetos de grifes reconhecidas em casas de pessoas chamadas "celebridades de Hollywood. Porém, háalgo mais que o tédio : o sonho de glória, de ter a própria marca, a aspiração futura" de fama  que não vai além da imagem clicada ,fulgurante instante de ver e postar no Facebook, existe. Constatamos essa existência no final do filme, através da rapidez com que se apropriaram do "acontecimento prisão- porque chegaram atélá!- para se mostraremàmídia. Tal qual camaleões, defenderam-se metamorfoseados no discurso da curiosa e bizarra filosofia filantrópica  cultivada pela mãe de uma delas.Assim, Emma Watson pode discursar para os jornalistas:
Eu acredito no karma e acredito que esta situação aconteceu na minha vida para me dar uma grande lição, para eu crescer e amadurecer como ser humano espiritual. Eu quero gerenciar uma grande organização beneficente . Eu quero liderar o país um dia.
O significante marca"foi discutido pelos presentes na Conversação.Os Louboutins são os nomes dos adolescents, são suas representações sociais, porém  voláteis como a droga consumida.Daía pouco a identidade de cada um poderáser aspirada" pelos calçados de Paris Hilton e  de outrooutro nome consagrado como marca. Parece ser menos o objeto em sua materialidade - ou mesmo a materialidade dos dólares roubados - que lhes importa , jáque rápido o jogo entre consumidor/consumido rebaixa o objeto a nada.  
Encontraríamos marcas nos corpos? Mesmo após o sério acidente de carro os corpos das jovens seguem delgados, angélicos, assexuados, quase! Curiosamente, mesmo se mencionada uma ou duas  vezes,  a fala  depreciativa a respeito do parceiro, ocasional, anônimo, mostra a relação sexual como caricatural, coisificada. São corpos habitados pelos objetos de marcas e pela anfetamina (Aderal) administrada pela mãe, em  todas as manhãs. São corpos para o olhar e para a imagem- dois objetos onipresentes na narrativa fílmica. São objetos / vestimenta para o vazio de suas vidas.
E  a marca do trauma?
No debate, era a pergunta  que retornava e, em seus giros, possibilitava a muitos presentes na Conversação a contribuírem  com elementos de respostas porém, deixando-a aberta.As intervenções destacavam que, ao menos  para Mark, o garoto, podia-se ler algo de uma subjetivação da experiência.Experiência dos roubos, da amizade rompida, de constatar que sua América ainda éfascinada por seus Bonny and Clyde.
Se falamos em subjetivação éporque estamos admitindo ao ser falante o  esforço para subjetivar o choque que lhe adveio do  encontro com a linguagem.Este traumatismo não pode ser tomado no 
sentido negativo : na verdade, ele empurra àentrada na humanização. Esta émais bela e mais forte  e não poderia ser reduzida a corpos coisificados, mesmo em sua estética angelical, a serviço do capitalismo.
Cien Digital 16 publicou o texto A bússola do sim e do não, de Philippe Lacadée, do qual extraio dois parágrafos que nos ajudam a pensar a questão do trauma em Bling Ring:
               A questão é saber como essa criança moderna que não se sustenta mais de seu desejo, mas da solitária relação ao objeto , toma conta do excesso de consumo que lhe barra o acesso ao saber e ao inconsciente. Os desejos tão solicitados são transformados em necessidades, em imperativos de gozo que respondem àgulodice de seu supereu sem que a criança saiba demandar ao Outro.Ela quer tudo e tudo já. Ela se encontra, então, vítima de um supereu feroz que a empurra para querer gozar de tudo e para o qual bem e mal se equivalem.
                Controle remoto na mão, a criança conecta diretamente seu corpo com o objeto gadget que jáera interrogado por Lacan em 1974: chegaremos a nos tornar animados verdadeiramente pelos gadgets?. Lacan não acreditava, mesmo afirmando, não obstante, que verdadeiramente não hánada a fazer quando o gadget não é  um sintoma. Lacan evidenciava deste modo, a solução do gadget como podendo ser para o sujeito um novo sintoma; parece abrir uma via mais digna para o objeto gadget. Não se trata de rejeitá-lo com a nostalgia dos   tempos antigos, mas compreender o uso que o sujeito faz disso. Se ele pode ter valor de sintoma, éporque o sujeito pode se servir dele como um ponto de apoio localizado, ou mesmo como suplência.
 Um a um, com sua palavra, na presenca de    um analista, saberíamos o valor dado ao objeto como um novo sintoma- ou não. Para a gangue do filme, deixemos sem resposta.
 
 
Em BA
 
CINE CIEN
 
[]
 
ECOS DE MAIS UM CINECIEN NA BAHIA.
Daniela Nunes Araujo
 
No último dia 25 de setembro, sediamos aqui em Salvador mais um CineCien, atividade promovida em parceria entre o Cien-Bahia e a Comissão de Biblioteca da EBP-BA. Primeiramente foi realizada a transmissão do filme ‘Monsieur Lazhar: o que traz boas novas’, seguido de debate animado por Mônica Hage (Psicanalista, Membro da EBP/AMP, Coord. Do Cien-BA) e que contou com a participação de Anamaria Vasconcelos (Psicanalista, Coord. Cien-Pernambuco) e Débora Calmon (Professora, Graduada em História pela UCSAL) como convidadas.
‘Monsieur Lazhar’, uma produção de 2011, originalmente canadense e vencedora de diversos prêmios cinematográficos internacionais, traz um enredo bastante interessante e que tem em seu fio condutor, as repercussões de um episódio de suicídio de uma professora em uma escola infantil do Canadá. A cena da professora morta, já enforcada, fora presenciada por Simon, um dos alunos da turma que compreende crianças entre os 10 e 11 anos de idade. Por ainda estarem no meio do ano letivo, um novo professor foi contratado. Bachir Lazhar, imigrante argelino, que corria o risco de ser deportado a qualquer momento, substituiu a professora de modo tão urgente, que nem sequer desconfiaram das questões pessoais que ele arduamente vinha enfrentando, tampouco interrogaram sua verdadeira formação.
Anamaria Vasconcelos nos contemplou com uma rica contribuição, direcionando-nos a pensar a respeito do trauma, assim como da função exercida pelo trabalho do Cien enquanto experiência da psicanálise na cidade. Como tomar o acontecimento do suicídio da professora? Até que ponto ele foi verdadeiramente traumático; e se foi: para quem? Se o Cien - no ambiente da escola retratada, se fizesse representar, muito provavelmente proporcionaria, por via da prática de conversações, fazer falar a desordem, dificuldades e urgências vividas por estas crianças e profissionais que com elas lidavam.
Anamaria destacou  como a rotina daquela escola fora interrompida pelo suicídio e o papel que a figura do Monsieur Lazhar se fez representar. É ele quem aponta  como este episódio modifica e repercute na escola. Para ela, aí se configura o olhar do cineasta, o que coincide com o cuidado que a psicanálise tem em encontrar o ponto de real que reitera, ressoa. Enquanto a lógica de uma escola conservadora tentava, de distintos modos, “apagar” aquele acontecimento, este novo professor, à sua maneira, fazia aparecer o impossível de calar o real.
Segundo ela, poderia ser que o senso comum relacionasse o ocorrido na escola a um trauma aparente. Porém, é na medida em que a película avança, que o diretor mostra que a situação toca, em verdade, de modo muito singular, em alguns personagens específicos. A exemplo de Simon, que ficou sem muitos recursos de defesa, enquanto o restante dos alunos puderam, de alguma maneira, ser “protegidos” do real da cena.
Em determinado momento da história, uma vez aberta a possibilidade (por parte do Professor Lazhar) de que aquelas crianças falassem abertamente sobre o acontecimento, uma aluna pede a vez e diz: “nós não estamos traumatizados, os adultos é que estão”. Isto imediatamente nos leva a pensar que o valor traumático não está no fato em si, mas no que toca em cada um, logo, diz respeito a um antes mesmo do acontecimento.
Na sequência, Débora Calmon nos proporcionou importante reflexão, partindo do questionamento de possíveis efeitos nas crianças em relação ao rendimento ensino-aprendizagem. Para ela, desde a perspectiva de um educador, cabe atentar a essas quebras de rotina e aos riscos aí implicados: quando, no caso do filme, perde-se uma professora, soma-se a isto que as crianças também teriam de fazer uma readaptação ao novo professor.
Débora mais uma vez evidencia o quanto a educação, por vezes, tenta tratar situações à base do silêncio, como bem retratado no filme, mas o quanto se faz importante que o professor também valorize a fala. Segundo ela, Monsieur Lazhar foi capaz de perceber a necessidade do falar em sala de aula, para além dos conteúdos programáticos.
Nos chama à atenção de que nós, espectadores, tal qual o professor substituto, ficamos de fora de momentos importantes vivenciados pelas crianças, seus alunos, a exemplo dos encontros grupais com a psicóloga contratada pela escola. E provoca o público, ao interrogar a tentativa de sigilo da direção.
Débora traça interessante percurso do Bachir Lazhar na história do filme, principalmente, ao levar em conta que ele se fez professor, já que essa não era sua formação. Apesar de não trazer em sua experiência a prática em sala de aula, ele se deixa aprender ser professor. Uma vez aberta discussão ao público, inclusive, foi destacado o valor da experiência de vida deste sujeito, quando também submetido a uma situação de risco, por estar ali no Canadá, até então de modo ilegal, o permitiu “escutar” aquelas crianças.
Retomo agora a um dos aportes trazidos por Anamaria Vasconcelos, quando lançou o que de vida aparece neste recorte histórico do filme, marcado pela morte. Segundo ela, Monsieur Lazhar manteve a capacidade de sustentar uma posição significativa e desejante em direção à vida. Em nenhum momento ele buscou tamponar a falta, mas sim causar abertura. Foi diante desta posição de um Outro simbólico, que ele facilitou o acolhimento dos ditos de cada um ali.
Podemos concluir então que, mesmo diante dos impossíveis da tarefa de educar, este professor foi capaz de remar contra a lógica educacional, subvertendo o imperativo de fazer calar a morte. Quebrar os protocolos institucionais, neste caso, veio sim a contribuir, quando principalmente fez uso de ferramenta das mais caras à psicanálise: a fala. O dar a voz, seja na experiência clínica, seja na prática interdisciplinar, aparece como manejo essencial.
 
Em PR
Conversações dos laboratórios
 
CIRANDA   DE  CONVERSA
 Valéria Beatriz Araújo e Tânia Verona1
 
O Laboratório em Formação CIRANDA  DE CONVERSA, teve início em março de 2014, objetiva trabalhar com o dispositivo das Conversações nas Escolas Públicas e Particulares da cidade de Curitiba. Dentro das atividades do CIEN na Delegação Paraná, trazemos uma experiência onde o Laboratório em FormaçãoCiranda de Conversa foi solicitado a realizar o trabalho de Conversação em uma Escola Particular do Ensino Fundamental, mais precisamente numa turma do 2° ano. Nesse sentido, lá fomos nós, escutar esses sujeitos e propor um espaço para a circulação da palavra e a emergência de novas possibilidades e invenções.
Ao primeiro contato com a instituição, a direção da escola verbalizou sobre a necessidade/importância de intervenção com as crianças desta referida turma. Sobre este pedido de conversa, pode-se, a posteriori, perceber que aquele discurso apontava um embaraço sobre o que acontecia, afinal, com a turma. A direção trazia a queixa de que eram agitados, e havia dois alunos que os professores “não davam conta” e que agitavam toda a turma. A turma dava trabalho. O Laboratório escutou a queixa e acolheu a demanda e, após duas Conversações realizadas com os alunos, percebeu-se que, eram simplesmente crianças, que se agitavam, que interagiam entre elas e que realizavam atividades, cada uma a seu modo.  O Laboratório se questionou, então, o que estava ocorrendo com esta turma, já que havia uma agitação dos corpos, mas o impasse não estava situado do lado dos alunos. 
O Laboratório percebeu a importância de realizar algumas Conversações com as professoras da referida turma, as quais passaram a experenciar a palavra, agora não mais taxativa, mas circulada. Passaram a verbalizar sobre a angústia em relação à turma, sobre o comportamento e modos de aprendizagem. No decorrer das Conversações, as professoras foram alternando suas participações, ao contrário da professora regente, a qual esteve presente em todas as Conversações, protagonizando esse mal-estar que pairava entre as docentes.
Assim sendo, esta professora vai aprofundando suas colocações, realizando um percurso que vai deslocando o foco inicial nos alunos para redirecionar o foco em si mesma, no sentido de passar a se implicar nesse contexto e questionar sua posição subjetiva frente às crianças. Tal percurso vai revelando que, diante do “imenso amor e carinho”, havia uma postura de maternagem frente à demanda das crianças, às quais careciam de um vetor que fosse orientador da lei.
Nesse percurso, a equipe e, particularmente, sua protagonista (encarnada na figura da professora regente), foi analisando seus posicionamentos e realizando novos arranjos, o que incluiu mudança no tom de voz (não mais tão infantilizado), bem como no fato de se autorizar a encarnar a lei quando necessário. Isso nos faz pensar no bom uso do semblante, o que propiciou uma diferenciação nessa parceria professor - aluno. Pensamos que tal mudança subjetiva pôde promover um furo na posição idealizada da “professora perfeita”. Tal mudança teve, como efeito, um certo apaziguamento na agitação dos corpos daquelas crianças.
Tal experiência vem corroborar, então, com o que aponta a psicanálise quando aposta no saber fazer com os semblantes, o que faz a diferença nos laços sociais.
1-Participantes do Laboratório em Formação Ciranda de Conversa (Delegação Paraná), Renata Silva de Paula Soares é responsável pelo laboratório, de que também participam: Eugênia C. Souza, Fidelis L. Grando Filho, Juliane Kravetz, Maria Argentina Dórrio, Suely Poitevin. 
 
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